quinta-feira, 17 de junho de 2010

Atropelamento em Wonderland

Tudo começa, quando nós meninas, ouvimos nossa mãe contar uma historinha começada com “era uma vez” e terminada com “eles foram felizes para sempre”. As minhocas já começaram a ser introduzidas em nossa mente. De que se formos boazinhas, excelentes donas de casa e mães excepcionais, nós vamos viver felizes para sempre com nosso príncipe encantado em nosso mundinho de faz de conta. Aham, Cláudia senta lá. Sério gente, alguém deveria proibir as mães de contar essas historinhas pras pobres coitadas de suas filhinhas que vão passar o resto da vida achando que o príncipe encantado realmente existe.
Enfim, aí chega a adolescência e suas baboseiras hollywoodianas com suas comediazinhas românticas. Por mais que seja lindo imaginar, mas o Ashton Kutcher não vai correr atrás de você no aeroporto, nem compor canções com seu nome, nem te dar um mega beijo na festa de réveillon enquanto seu ex beija outra na sua frente. Isso aqui é vida real e não mais um filminho desses com o final esperado.
É após assistir esses filmes ou ler livrinhos com a heroína que come o pão que o diabo amassou, mas que no final encontra o grande amor de sua vida e vive feliz para sempre, que as jovens acham que vão acontecer com ela também. Mas quando ela começa a se relacionar com seus “príncipes”, ela vê que eles não passam de sapos. Aí é hora de chorar rios ouvindo músicas do James Blunt, até aparecer outro que fará o mesmo. E aí entramos num circulo vicioso.
Tá, todo mundo deve de tá pensando: essa menina tomou mais um pé na bunda e tá revoltada com os homens.
Naaaaah... a coisa não é bem assim. É que depois de anos nesse circulo vicioso de levar pé na bunda, ouvir James Blunt e sair com mais um otário, nós mulheres quando entramos na fase adulta já estamos calejadas. Então a gente não se dá mais ao luxo de sonhar com o príncipe encantado. Passamos a nos dedicar a coisas mais importantes como nossa carreira e nos fechamos pra balanço até segunda ordem. E isso não é legal, porque quando estamos fechadas, pode até aparecer alguém bacana. Mas por medo de ter que comprar o novo cd do James Blunt com a trilha sonora do pé na bunda, não damos chance ao pobre coitado que era bacana.
Mas e se o pobre coitado não for coitado porra nenhuma? For mais um lobo em pele de cordeiro? Mas e se ele for legal de verdade?
Você resolve depois de muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito pensar, dar uma chance pro menino: “ele foi tão legal comigo”. Você acha q ele pode ser diferente. Mas no final ele acaba mostrando sua natureza de homem.
E esse ser, o falso fofo sempre aparece quando você está numa ótima fase de sua vida (logo após meses de terapia, claro). Que nem diz em uma musica da Cássia Eller com Nando Reis: eu estava em paz quando você chegou... bem isso. Aí diga adeus aos meses de terapia, porque você vai ter que começar tudo de novo. Além de gastar mais fortunas em livros de auto ajuda, passar a madrugada na internet lendo blogs sobre o que os homens pensam. Isso sem contar as mais extremistas que procuram cartomante, mãe de santo, vai no terreiro, toma banho com rosa vermelha e faz despacho com galinha preta e farofa na encruzilhada (não que eu já tenha feito isso) pra ver se sua vida amorosa fica plena novamente.
O que eu estou tentando dizer depois desse carnaval todo, não é que não existam homens legais por aí. Existem sim e eu já tive exemplos disso bem perto de mim. O que eu quero dizer é que não existem príncipes encantados. Aquele homem perfeito de conto de fadas. Mesmo porque, a vida não é um filme com Ashton Kutcher com trilha sonora de James Blunt. É a vida real. E o que seria dela se fosse tudo impecável o tempo todo? Uma chatice. Um medinho aqui, uma decepçãozinha ali de vez em quando é legal pra gente sair da rotina. E quando estamos numa boa, encaramos essas reviravoltas que a vida dá sem muito alarde e já levantamos a cabeça prontas pra próxima. Não podemos é ficar com medo de gostar de alguém e sofrer e com isso, perder oportunidades de conhecer pessoas legais. Porque é justamente quando você menos espera, quando não está procurando, é que aparece alguém que vale a pena. E daí se ele não for o Ashton kutcher? E se não estiver tocando James Blunt de fundo? E daí se ele não parece nada com o príncipe encantado de suas fantasias? Ele é um homem comum e você uma mulher comum também. Porque afinal de contas, isso aqui não é o País das Maravilhas, né Alice? hahaha